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10 de Maio de 2008
Coluna

Hipocrisia Nacional

O recente caso envolvendo o jogador Ronaldo Nazário e os travestis, revela como anda a hipocrisia nacional. Do mesmo jeito que foi chamado de Fenômeno, foi rebaixado ao pior nível pela mesma sociedade que o aclamou.


Da lama ao caos

Da mesma forma que aconteceu com o Guga, com Romário, o Vanderlei Cordeiro de Lima, Daiane dos Santos e diversos esportistas artistas nacionais. Só importa o momento de sucesso, as felicidades. Afinal, quando há uma vitória e uma conquista, a vitória é do brasil, quando acontece uma derrota, a derrota é pessoal. Este também é o caso que envolve Rubens Barrichello. Prestes a completar 257 GPs e ultrapassar a marca de Riccardo Patrese como o piloto com maior número de GP’s disputados, o piloto brasileiro é alvo de piadas, chacotas. Esquecem que quando ele vencia, todos o aplaudiam. Esquecem de tudo em que ele passou para conseguir o seu sucesso. Como bem disse Alain Prost para Fritz Dorey, o Rubinho é um dos três melhores pilotos do mundo, mas que nunca teve carros à altura. E que quando teve, sabotavam. Falou também que bastava dar um carro para ele na chuva que ele ficaria na frente de todo mundo. E nós, brasileiros, ficamos gozando o Rubinho Barrichello. O povo brasileiro, que adora um auto-elogio, deveria analisar todo o histórico, o quanto de sacrifício é feito. Afinal é você, que passa 12 horas treinando Ginástica Artística, por dia? É você que teve que vender um Fiat 147 (o único bem da família) pra poder ter uma carreira? Então, cara pálida, vamos repensar nossas atitudes, valorizar os nossos sucessos e também o sucesso dos outros, sem hipocrisia.

Mas vamos falar de alegrias também, neste final de semana, o automobilismo[bb] brasileiro viverá um momento único em sua vida, Emerson Fittipaldi e Wilson Fittipaldi Jr, voltam a correr juntos. Wilsinho que neste ano completa 50 anos (!) de automobilismo, dividirá um Porsche com Emerson em algumas etapas do campeonato brasileiro de GT3. Interlagos será o palco deste reencontro histórico. Quase o mesmo Interlagos que viu Emerson correr com Copersucar anos atrás.


Interlagos era assim até 1989

Que este reencontro do clã Fittipaldi com o Interlagos, represente muito mais do que só boas lembranças e corridas. Que ele represente o verdadeiro espírito vencedor e empreendedor da família, tanto manchado pela hipocrisia nacional.

Roque é paulistano, administrador de empresas, atuando em Consultoria e ministra aulas e palestras pelo Brasil afora. Fundador e presidente do Time da Alegria, exerce inúmeras atividades sociais. Rockeiro por natureza, toca contra-baixo na banda The Mommy Boys, torcedor do São Caetano e Membro da GGOO!
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