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29 de Setembro de 2008
Fórmula 1

Ferrari, mais uma vez

A Ferrari, mais uma vez, falha e complica a vida do Felipe Massa na busca do título Mundial. A chance desperdiçada no GP de Cingapura pode custar muito caro. Massa, que tinha 1 ponto de desvantagem para Hamilton viu ao final da prova essa diferença crescer para 7 pontos (84 contra 77).

Pior que isso é fato de que já não depende mais do Felipe Massa para que ele seja campeão. Basta Hamilton chegar nas três provas que restam na segunda colocação para que ele seja campeão, mesmo que o Massa vença todas.

É situação se complicou? Sem dúvidas, mas o título ainda é possível. Afinal de contas ainda restam 30 pontos em jogo. O Felipe vai precisar mais do que nunca da ajuda de Kimi para ser campeão. A pergunta é: ‘E ele vai ajudar?’ Pelo que vimos até agora a resposta me parece óbvia.

Felipe terá que assumir o papel de líder dentro da equipe para conseguir reverter a situação de descontrole que assola o time italiano nessa temporada. E a retrospectiva da equipe Ferrari na temporada é desastrosa, então vamos tentar enumerar as falhas do time:

- Austrália: Quebrou o motor dos carros dos dois pilotos.

- Mônaco: Os mecânicos instalaram os pneus na Ferrari de Raikkonen, no grid, além do tempo permitido e teve de cumprir drive-through.

- Montreal: O sistema de reabastecimento de Massa não funcionou, precisou regressar aos boxes e caiu para último.

- França: O escapamento do motor do Kimi se rompeu.

- Grã-Bretanha: Não substituíram os pneus intermediários por outros novos dos dois pilotos no pit stop. Os dois pilotos mal ficavam na pista molhada.

- Hungria: O motor de Massa quebrou faltando 3 voltas para fim.

- Valência: Foi a vez do motor do Kimi explodir. Foi nessa prova também que o finlandês arrancou com o sinal vermelho (o tal do pirulito eletrônico) nos boxes e feriu um mecânico.

- Monza: Troca de motor na Ferrari de Massa, queimando um coringa que tinha direito.

- Cingapura: O famigerado “pirulito eletrônico” que a Ferrari inventou e até agora se mostrou ser mais um problema do que uma solução.

Na verdade, essas lambanças são reflexos da desorganização interna em que vive a escuderia de maior orçamento da F1. Creio que a saída de Jean Todt do comando da Ferrari faça mais falta que a saída de Schumacher. As decisões que são necessárias em uma prova de F1 são inúmeras: Quantos pit stops fazer? Quando fazê-los? Quais compostos utilizar antes ou depois? Como jogar com os dois pilotos para favorecer a equipe? E por ai vai.

O que vai ficar nos anais da história do primeiro GP de F1 noturno, a corrida de número 800 não é o papelão promovido pela equipe de Maranello e sim a vitória consagradora de Fernando Alonso que não vencia havia um ano. A primeira vitória da equipe Renault na temporada, que não vencia desde 2006.

O que esperar então? Bem, no mínimo um final de campeonato inesquecível.

Publicada por Enio Oliveira em 29 de Setembro de 2008 às 2:54 pmSem Comentários

10 de Setembro de 2008
Fórmula 1

Interessante, Chata e Eletrizante

Um começo interessante uma parte intermediaria chata e um final eletrizante: esse foi o GP da Bélgica em Spa-Francorchamps.

Hamilton tinha a pole e conseguiu fazer boa defesa na largada contra o Massa, mas o Kimi não se fez de rogado e partiu para cima do Massa com tudo e fez a ultrapassagem, até com certa facilidade. Só que o Hamilton acabou rodando na segunda volta e acabou cedendo o primeiro lugar para o Kimi, mas mantendo a segunda colocação. O Massa vinha na dele, tranqüilo, tranqüilo. Aliás, tranqüilo até demais para o meu gosto e me parece que o dele também. “Não arrisquei, realmente parecia um bundão guiando, mas valeu a pena ter pensado dessa maneira”, disse Felipe Massa.

Depois disso não houve mais nada de interessante até a 40ª volta. Kimi em primeiro e já se preparando para a vitória, Hamilton em segundo não muito satisfeito por ter perdido a primeira posição logo na segunda volta por um erro seu e o Massa quieto, quieto na terceira posição, pensando no campeonato e fazendo contas.

Eis que faltando 4 voltas para o final da corrida cai uma garoa daquelas para deixar a pista um sabão. Na verdade, desde a parada no box, na volta 25, que o Hamilton vinha ameaçando uma aproximação para cima do Kimi em função dos pneus duros. Para se ter uma idéia na volta 39 o Hamilton estava a 1,51 do Kimi e na volta 40 ele já estava a 0,930! Mas foi na volta 42, portanto a duas voltas do final, que Hamilton partiu para cima do Kimi com tudo.

O Hamilton dividiu curvas com o Kimi, ultrapassou, foi jogado para fora da pista, cortou caminho, passou Kimi e “devolveu” a posição para em seguida pegar o vácuo e meter por dentro e levar a posição, saiu da pista na curva seguinte e Kimi recuperou para depois perder o controle e bater no muro. Foi sem sombra de dúvidas um duelo espetacular de se ver. Isso tudo em uma volta! Era para ficar na história. Era.

Duas horas depois da vitória veio a reviravolta, punição para Hamilton por causa da manobra sobre o Kimi. O caso é polêmico. Lewis cortou a chicane, é verdade. Mas reduziu e deixou Kimi Raikkonen voltar à frente e só então tentou nova ultrapassagem. Também é verdade que o Hamilton obteve certa vantagem, pois estava com bem mais tração na tomada para a La Source e, assim, consolidou a ultrapassagem sobre o finlandês.

Resultado, 25 segundos acrescidos no tempo do Hamilton e queda da primeira para 3ª posição. Bom para o Massa que levou a vitória para o currículo e os 10 pontos e viu a diferença dele para o Hamilton cair para apenas 2 pontos, 78 a 76 e de quebra abrir 17 pontos para o Kimi. Com isso o Kimi praticamente dá adeus ao campeonato.

Sei que não deveria, mas vou expressar minha opinião sobre o assunto. Exagero essa punição. Não dá para entender. A F1 clama por provas emocionantes, por pilotos arrojados. Quando aparece um que tem arrojo de sobra os caras punem!

Pelo que eu saiba o regulamento diz que o piloto que cortar a chicane e obter vantagem sobre seu oponente deve devolver - e isso ele fez - a posição sob pena de ter que pagar com drive-thru. Mas não diz que tem, por exemplo, que manter uma distância de 20, 30 ou 40 metros depois que ceder a posição, ou ainda, o piloto tem que ceder e esperar uma ou duas curvas para tentar a ultrapassagem novamente.

De todo modo, teremos a próxima prova - nessa semana, ainda bem! - no veloz circuito de Monza. Pense, casa da Ferrari. A pressão vai aumentar para a dupla Ferrarista, principalmente nas costas do Massa, que querendo ou não agora é o piloto que deve enfrentar o Hamilton na briga pelo titulo.

Agora, se a Ferrari insistir nessa história de não definir claramente quem será o primeiro piloto pode entregar de bandeja o campeonato para o inglês. Isso porque equipe dividida são pontos divididos.

Cada vez mais a decisão se desenha para ser aqui no Brasil. Já pensou? Massa campeão, vencendo em casa? Bom de mais.

I see you later.

Publicada por Enio Oliveira em 10 de Setembro de 2008 às 12:57 amSem Comentários

30 de Agosto de 2008
Felipe Massa, Ferrari, Fórmula 1

Esperança Renovada

Depois de uma grande frustração sentida na prova anterior, Felipe Massa se redime com uma vitória contundente diante de seus adversários. Fez o que todo piloto sonha em uma prova, pole position, melhor volta e vitória. Psicologicamente essa foi, talvez, a prova mais importante da temporada para Felipe.

Massa chegou no circuito de Valência sob pressão, sabendo que não poderia deixar de vencer a prova por dois motivos: primeiro para não deixar que Hamilton e Kimi disparassem em pontos no campeonato e segundo por que a Ferrari não havia decidido quem seria o primeiro piloto da equipe.

Com a vitória Massa ficou a 6 pontos de Hamilton e abriu 7 pontos do Kimi. Restando apenas 6 provas para o final do campeonato não será mais possível a Ferrari dividir a atenção entre os seus dois pilotos. Como todos sabem Hamilton tem o total apoio da McLaren e caminha firme para conquista do campeonato.

Em recente entrevista Stefano Domenicali, chefe esportivo da Ferrari, disse “se necessário, Kimi Raikkonen deverá ajudar Massa no restante do campeonato”. Portanto, parece claro que a Ferrari já se decidiu por Felipe, que aliás vem se mostrando ser o piloto mais adaptado ao F1 2008. A decisão é mais que acertada, espero que não tardia, diante dos números:

Vitórias: 4 a 2 em favor de Massa;

Poles: 4 a 2 em favor de Massa;

Posição no grid: 8 a 4 em favor de Massa;

Posição de chegada: 7 a 5 em favor de Massa;

Voltas mais rápidas: 7 a 1 em favor do Kimi.

Esse detalhe das voltas mais rápidas é o que define a diferença entre os dois, estilo de pilotagem.

Kimi é rapidíssimo, agressivo. Velocidade bruta.

Felipe é mais refinado, determinado, de condução mais limpa.

Para entender bem a diferença de estilo basta olhar as estatísticas da F1. Ayrton Senna, por exemplo, é apenas o 12º no ranking de voltas rápidas enquanto o Mansell (O Leão, lembra?) é o 4º. Mas em vitórias Senna bate o Mansell com 41 contra 31.

O que realmente preocupa é se a Ferrari vai oferecer condições para que Felipe vença o campeonato. Do início da temporada até agora o que se viu foi uma série de erros e trapalhadas da equipe italiana. Na estréia, equívocos na relação de marchas do carro de Felipe Massa e a perda de pressão do motor de Raikkonen; estratégia da corrida de Mônaco com um pit stop mal calculado para Massa e o stop and go de Raikkonen. Por terem demorado demais na colocação dos pneus no grid, duplo estouro de motor: uma com o Massa e no GP seguinte com o Kimi. Para a Ferrari a cota de bobagens já se esgotou.

É chegada a hora da verdade e Felipe vê a sua esperança renovada. Resta a nós brasileiros torcermos para que equipe italiana faça a sua parte, por que o Felipe vem fazendo a dele de forma espetacular.

I see you later.

Publicada por Enio Oliveira em 30 de Agosto de 2008 às 11:49 amSem Comentários